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Tudo pronto para a largada do Adestramento Paraquestre nos Jogos Paralímpicos Tokyo 2020

Rodolpho Riskalla com Don Henrico, dono de dois vice-campeonatos mundiais, e Sergio Oliva - que traz na bagagem dois bronzes na Rio 2016 - com Milenium defendem o Brasil na competição entre 26 e 30/8, com boas chances de medalhas. Rodolpho abre a rodada brasileira nessa 5ª feira, 26/9, 6h9min (fuso BSB).


Cavalos do Time Brasil Paraequestre aprovados na inspeção veterinária em 25/8 (Divulgação CBH - acervo particular)
Cavalos do Time Brasil Paraequestre aprovados na inspeção veterinária em 25/8 (Divulgação CBH - acervo particular)

No 25º aniversário da introdução do Adestramento Paraequestre nos Jogos Paralímpicos, 77 atletas de 26 países prometem a mais acirrada disputa até os dias de hoje. A exemplo dos Jogos Olímpicos, o parque equestre Baji Koen - em Tóquio - recebe o hipismo que, esse ano, conta com 15 países competindo por equipes. O Brasil será representado por dois conjuntos – Rodolpho Riskalla montando Don Henrico e Sérgio Froés Oliva com a sua nova montaria Milenium - na disputa individual. No mais recente ranking da Federação Equestre Internacional (FEI) Rodolpho Riskalla, que reside na Alemanha, ocupa a vice-liderança do Grupo IV e o 11º lugar na classificação geral; o brasiliense Sérgio Oliva, que mora no Brasil e estava sem competir devido à pandemia, em 16º no Grau I e 57º no ranking geral.


Dono de dois bronzes nos Jogos do Rio 2016, o brasiliense Sérgio (39 anos completos em 17/8) chegou a Tóquio para a sua quarta disputa Paralímpica consecutiva. Já o paulista Rodolpho Riskalla, 36 anos, radicado na Alemanha, estreou nos Jogos do Rio 2016 e está de volta a Tóquio cinco anos depois de subir ao palco do FEI Awards 2016, realizado no Japão, para receber o troféu como vencedor da categoria Against All Odds (contra todas as adversidades), premiação anual promovido pela FEI.


Acompanham a competição Marcela Parsons, diretora de Adestramento Paraquestre da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e treinadora de Sergio Oliva, ao lado de Rosangele Riskalla e Holga Finken, treinadores de Rodolpho Riskalla, veterinários e equipes de apoio.


Histórico brasileiro em Paralímpiadas

O Adestramento Paraequestre estreou na Paralimpíada de Nova York (EUA), em 1984, com representantes de seis países. A baixa participação contribuiu para que a modalidade só voltasse ao programa oficial a partir dos Jogos de Atlanta 1996.


O Brasil fez sua primeira participação nos Jogos de Athenas, em 2004, com Marcos Fernandes Alves - o Joca - que terminou em 9º lugar. A técnica foi Marcela Pimentel. Dos 69 atletas, 47 eram mulheres.


Nas Paralimpíadas de Pequim 2008, disputadas em Hongkong, pela primeira vez o Brasil estreou como equipe (no caso do hipismo). O destaque foi Marcos Fernandes Alves que, montando Luthenay, no Grau Ib, conquistou dois bronzes, prova técnica e Freestyle. O Time Brasil contou também com Sérgio Ribeiro Fróes de Oliva (Grau Ia), Davi Salazar Pessoa Mesquita (Grau Ib), Elisa Melaranci (Grau II) e a chefe de equipe Marcela Frias Pimentel Parsons fechando em 11º lugar. Competiram 73 atletas, sendo 50 mulheres.


Na Paralimpíada de Londres o Time Brasil, 13º colocado entre 16 países, foi formado por Marcos Fernandes Alves, o Joca, e Davi Salazar Pessoa Mesquita no Grau Ib, Sérgio Fróes de Oliva no Grau Ia e Elisa Melaranci no Grau II. A chefe de equipe foi Marcela Parsons. Dos 78 atletas, 56 eram mulheres.


Na Paralimpíada Rio 2016, o Time Brasil ficou em 7º lugar entre 14 países. O melhor resultado foi do atleta do Grau Ia Sérgio Fróes Oliva que, montando Coco Chanel, conquistou dois bronzes: nas provas técnica e Freestyle. Completaram o time Vera Mazzili (Grau Ia), Marcos Fernandes Alves (grau Ib) e Rodolpho Riskalla/Dom Henrico (à época Grau III). A chefe de equipe foi Marcela Parsons. No mesmo ano, Rodolpho Riskalla conquistou o FEI Awards, categoria Against All Odds (contra todas as adversidades) promovido pela Federação Equestre Internacional. O prêmio foi entregue em Tóquio, Japão.


Último Mundial

Nos Jogos Equestres Mundiais, disputados a cada quatro anos, que tiveram sua última edição em 2008 em Tryon, nos Estados Unidos, o Brasil fez sua melhor campanha na competição. Rodolpho Riskalla, cavaleiro de Grau IV que montou Dom Henrico, registrou as mais altas notas médias finais: 73,366% na prova técnica e 77,780% no Freestyle. O Time Brasil, 7º colocado, contou com Riskalla, os medalhista paralímpicos Sérgio Froés Oliva/Coco Chanel M (Grau Ia) e Marcos Fernandes Alves/Vladmir (Grau Ib) e a paralímpica Vera Lúcia Martins Mazzilli/Ballantine (Grau Ia).


Adestramento Paraequestre é disputado em cinco graus

Atualmente, no adestramento paraequestre, são considerados cinco graus - I, II, III, IV e V - do maior ao menor grau de comprometimento físico do atleta. No grau I, os atletas competem somente a passo, no Grau II, a passo e trote e Grau III para cima, nas três andaduras: passo, trote e galope.

No Grau I, em Brasil será representando por Sérgio Fróes Oliva com Milenium, de criação da Letonia de 9 anos e no Grau IV por Rodolpho Riskalla com Don Henrico, um hannoverano de 18 anos.


Perfis e principais conquistas

Sérgio Fróes Ribeiro Oliva

HISTÓRICO: Sérgio é irmão gêmeo de Flávio e Eduardo. Nasceu prematuro, mas foi por falta de oxigenação na incubadora que ficou com paralisia cerebral. O cavalo entrou na vida de Sérgio através da equoterapia quando tinha oito anos, como método para auxiliar o seu processo de desenvolvimento psicomotor. Depois de praticar outros esportes, aos 13, o brasiliense tropeçou na saída do edifício onde morava e caiu na vidraça da portaria, cortando-se com os estilhaços. O acidente lesionou os nervos na altura das axilas e Sérgio perdeu os movimentos do braço direito.

Depois de um intercâmbio nos Estados Unidos, ele retornou ao Brasil, terminou o ensino médio e voltou a praticar o hipismo em 2002; em 2005, optou apenas pelo Adestramento Paraequestre. Passou a competir e somar conquistas em campeonatos regionais, nacionais e internacionais como Paralimpíadas, Mundial, Parapan, Jogos Equestres Mundiais e Sul-americano.


Sergio Oliva com Milenium e equipe (Divulgação CBH - acervo particular)
Sergio Oliva com Milenium e equipe (Divulgação CBH - acervo particular)

PRINCIPAIS CONQUISTAS: Duas medalhas individuais de bronze nos Jogos do Rio 2016 (provas técnica e estilo livre), Campeão Mundial 2007 em Hartpury, Inglaterra (ouro na prova técnica e bronze no estilo livre); bronze nas provas técnica e estilo livre no CDPI3* de Hartpury, Inglaterra, 2016; ouro nas provas técnica e estilo livre no CPEDI 3* International de Hartpury de 2019; ouro na prova técnica e no estilo livre e prata por equipe nos Jogos Parapan-Americanos de Mar del Plata 2003; Campeão Sul-americano em São Paulo 2005; bronze na II Copa Sul-americana em São Paulo 2004. Cinco vezes (2012, 2014, 2015, 2016 e 2017) eleito o melhor atleta paralímpico do Hipismo promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Heptacampeão Brasileiro (2005, 2006, 2007, 2008, 2012, 2013 2018).


Rodolpho Riskalla de Grande

HISTÓRICO: Até 2015, o atleta competiu no Adestramento convencional com várias conquistas. A partir da década de 2000 se transferiu para a Europa, treinando com renomados nomes da modalidade. Em 2015, contraiu meningite bacteriana e, como consequência da doença, sofreu a amputação tibial das duas pernas, mão direita e dedos da mão esquerda.


Rodolpho Riskalla com Don Henrique e equipe (Divulgação CBH - acervo particular)
Rodolpho Riskalla com Don Henrique e equipe (Divulgação CBH - acervo particular)

PRINCIPAIS CONQUISTAS: Duas medalhas de prata (técnica e estilo livre) nos Jogos Equestres Mundiais de Tryon/EUA, em 2018; 10º individual e 7º por equipe nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016; vencedor em 2016 do FEI Awards, categoria Against All Odds (contra todas as adversidades) promovido pela Federação Equestre Internacional; tricampeão do CPEDI3* de Doha, no Catar e do CPEDI3*em Mannheim, na Alemanha (2019, 2020 e 2021); líder do Grupo IV da FEI em 2018 e vice-líder em 2021; homenageado com o selo temático do passaporte da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) em 2021. No Adestramento, onde competiu até 2015, foi bicampeão Sul-americano Young Riders 2004, tricampeão Brasileiro e único atleta do país em uma FEI World Breeding Dressage Championships for Young Horses, em 2013. Melhor atleta paralímpico do Hipismo em 2018 e 2019 em premiação promovida pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).


Agenda

Rodolpho e Don Henrico são o terceiro conjunto no picadeiro no Grau IV, abrindo a participação brasileira nessa quinta-feira, 26, às 6h9min (fuso brasileiro). Sérgio e Milenium estream na sexta-feira (27/8), e a ordem de entrada ainda não saiu.


PROGRAMAÇÃO DO ADESTRAMENTO PARAEQUESTRE EM TÓQUIO

Quinta, 26/08 16h (Brasil 4h) – Dressage Individual Test – grau 2 17h51 (Brasil 5h51) – Dressage Individual Test – grau 4 Rodolpho Riskalla entra às 6h09 (Brasil) 20h31 (Brasil 8h31) – Dressage Individual Test – grau 5

Sexta, 27/08 16h (Brasil 4h) – Dressage Individual Test – grau 1 19h14 (Brasil 7h14) – Dressage Individual Test – grau 3

Sábado, 28/08 17h (Brasil 5h) – Dressage Team Test to Music – grau 2 18h14 (Brasil 6h14) – Dressage Team Test to Music – grau 1 19h54 (Brasil 7h54) – Dressage Team Test to Music – grau 3

Domingo, 29/08 18h (Brasil 6h) – Dressage Team Test to Music – grau 5 19h32 (Brasil 7h32) – Dressage Team Test to Music – grau 4

Segunda, 30/08 9h – Segunda inspeção veterinária (Brasil: 29/8, às 21h) 16h (Brasil 4h) – Dressage Individual Freestyle Test – grau 4 17h14 (Brasil 7h14) – Dressage Individual Freestyle Test – grau 5 18h33 (Brasil 6h33) – Dressage Individual Freestyle Test – grau 3 19h47 (Brasil 7h47) – Dressage Individual Freestyle Test – grau 2 21h01 (Brasil 9h01) – Dressage Individual Freestyle Test – grau 1


Fonte: Imprensa CBH - Carola May e Rute Araujo

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